sábado, 1 de agosto de 2009

Dossiê Coala

Algumas pessoas me dizem que coalas são apenas coalas. Não sei. Desconfio dos coalas. Eles planejam, isso sei por experiência própria, uma conspiração para dominar o mundo, ou extinguir a raça humana, ou tomar todo o estoque de folhas de eucalipto do mundo, não sei. Mas desconfio dos coalas. São... fofinhos demais.
Primeira evidência da conspiração: ursinhos de pelúcia não são ursinhos de pelúcia. São coalas. Não há um único ursinho de pelúcia em forma de urso. São todos coalas. Com o óbvio objetivo de manipular as mentes infantis, e não levantar suspeitas futuras.
Segunda: uma bichinho tão fofinho e bonitinho não se contentaria com meras folhas de árvores, sendo que poderiam estar nos lares sendo alimentados com comida de primeira.
Terceira: o efeito hipnótico que eles exercem sobre as pessoas. Não há quem olhe um coala e não faça “Óóóóiiiinnnnnn, que fofo!”. Hipnose, lógico. Algo no olhar, acho.

Além disso, coalas vêm me assombrando, perseguindo e vigiando no dia-a-dia. Vou me limitar ao dia de ontem, e relatar os fatos.
9:45 – Acordo. Ao abrir os olhos vejo, no feche de luz que incide sobre a cama neste horário, uma sombra. Levanto para distinguir a forma da sombra. Pasmo, percebo que forma a silhueta de um coala. Corro para a janela para averiguar. Não há mais nada, mas ouço barulhos ao longe e os arbustos ao lado da minha janela ainda se mexem.
12:45 – Pego o ônibus. Como de costume, sento no último banco. Como de costume, no semáforo olho pra trás, pra passar o tempo. Há mais ou menos trezentos metros de distância vejo um sedan preto. Vidros escuros, porém não a ponto de eu não
poder ver o que há lá dentro: um coala ao voante. Obviamente me seguindo.
13:15 – Já no outro terminal rodoviário avisto, desta vez mais nitidamente, um coala disfarçado de garçonete na lanchonete. Chamo algumas pessoas para que olhem também, e para que tomem ciência do perigo que correm. Mas estão todos mentalmente muito influenciados. Dizem que não há nada lá, e me chamam até de louco. Coitados. Temo pelo futuro deles.
13:55 – Na entrada para o trabalho olho para a sala do chefe. A sombra sob a luz branca que incide na persiana não é de uma pessoa. Nem preciso dizer do que é.
16:25 – Cuidando da molassa, que é uma máquina da empresa onde trabalho que não convém descrever aqui, noto que alguns galhos de eucalipto dão arrastados para dentro dela. Vou até lá conferir. Na escuridão da molassa, só consigo divisar dois olhos brilhantes de coala, que depois somem pelo cano do caracol de amianto. Há, inclusive, estudos que dizem que coalas gostam muito de amianto.
17:00 – Sucumbo ao pânico e venho embora antes do horário. No ônibus vejo novamente ao longe o sedan que me seguiu na ida. O mesmo coala ao volante. Ou pode ser outro coala, não sei.
17:30 – A caminho de casa passa por mim uma menina segurando um ursinho (ou coala) de pelúcia. Ela passa sem me notar, mas o olhar do coala me acompanha. Sinistro.
18:00 – Estou deitado na cama, amedrontado e sozinho. Presa fácil. Ouço batidas na porta. Não batidas normais, batidas de mãos macias e felpudas. Claro, pode ser alguém de luvas. Não sei. Não abro. Novos barulho, agora, de alguém tentando forçar a maçaneta...

Um comentário:

  1. Ha indicios que os coalas são seres extraterrenos que estão esperando a hora certa para destruir a terra, e que eles são naturais da lua , de onde herdaram a sua cor cinza por causa do habitat la.

    Chavear as portas jah não nos deixa mais livres deles, tomem cuidado pessoal...
    auheuaheuhae

    Abraço Zézo

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